Receber a notícia da alta de um familiar idoso é um momento de alegria. Significa que a fase mais crítica da doença ou da cirurgia passou. Porém, para os familiares, essa notícia costuma vir acompanhada de uma preocupação imediata: “Será que nossa casa é segura para ele?”
A preocupação é legítima. Uma casa comum esconde “armadilhas” que, para um jovem, passam despercebidas, mas que para um idoso com mobilidade reduzida ou equilíbrio frágil podem representar um grave risco de queda.
Na Clínica de Transição Paulo de Tarso, sabemos que a reabilitação não termina quando o paciente sai da nossa porta; ela continua no dia a dia. Por isso, preparamos um guia prático para adaptar o lar, transformando-o em um ambiente de proteção e autonomia.
1. O grande vilão: tapetes e pisos
Se você puder fazer apenas uma mudança na casa hoje, que seja esta: retire os tapetes soltos.
Tapetes na sala, passadeiras no corredor e tapetinhos de banheiro são as principais causas de tropeços e escorregões dentro de casa.
- A solução: remova todos os tapetes decorativos. Se for indispensável manter algum, certifique-se de que ele seja antiderrapante e esteja fixado ao chão com fita adesiva dupla face forte.
- O piso: evite encerar o chão. Pisos muito lisos ou polidos são perigosos para quem usa meias ou pantufas.
2. O banheiro: onde o risco é maior
O banheiro é estatisticamente o cômodo mais perigoso da casa para um idoso, devido à combinação de piso molhado, espaços apertados e a necessidade de sentar e levantar.
- Barras de apoio: instale barras de segurança no box e ao lado do vaso sanitário. Atenção: nunca use a porta-toalha ou a saboneteira como apoio; elas não aguentam o peso do corpo e podem se soltar, causando acidentes graves.
- No banho: considere o uso de uma cadeira de banho ou um banco articulado fixo na parede. Tomar banho sentado evita tonturas e o cansaço excessivo, garantindo uma higiene mais segura.
- Tapete do box: use tapetes de borracha com ventosas de alta aderência dentro do box para evitar escorregões no piso ensaboado.
3. Iluminação: vendo o caminho
A visão do idoso muitas vezes já não se adapta bem a mudanças de luz ou à penumbra. Um ambiente mal iluminado esconde degraus e objetos no chão.
- Luz noturna: instale luzes de vigília (aquelas pequenas de tomada) no trajeto entre o quarto e o banheiro. É muito comum que o idoso precise urinar à noite, e acender luzes fortes pode causar ofuscamento.
- Interruptores: certifique-se de que o interruptor de luz esteja acessível na entrada de cada cômodo, para que ele não precise andar no escuro até acender a luz.
4. O quarto e a cama
O quarto deve ser um refúgio de descanso, não de obstáculos.
- Altura da cama: a cama não deve ser nem muito alta (que exija um “pulo” para subir), nem muito baixa (que exija muita força para levantar). A altura ideal é aquela em que o idoso, sentado na beirada, consegue apoiar os dois pés inteiros no chão, com os joelhos dobrados a 90 graus.
- Mesa de cabeceira: mantenha óculos, água, telefone e a campainha de emergência (se houver) ao alcance fácil da mão, para evitar que ele precise se esticar ou levantar no escuro.
5. Corredores e circulação
A casa precisa ter “pistas livres”.
- Desentulhe: remova mesinhas de centro, vasos de plantas no chão, revisteiros e fios elétricos que atravessem o caminho. O idoso, especialmente se usar andador ou bengala, precisa de espaço para manobrar.
O papel da terapia ocupacional na adaptação
Adaptar a casa não é apenas uma questão de reforma, mas de entender a funcionalidade do paciente. É aqui que entra o Terapeuta Ocupacional.
. O terapeuta ocupacional é o profissional capacitado para orientar exatamente quais adaptações são necessárias para aquele paciente específico, ensinando-o a realizar as tarefas diárias (como vestir-se ou cozinhar) de forma segura no novo contexto.
Preparar a casa é um ato de cuidado que previne reinternações e devolve a confiança para que o idoso viva sua rotina com independência.
Precisa de orientação sobre cuidados pós-alta e reabilitação? Fale com a equipe da Clínica de Transição Paulo de Tarso.




