Quando um idoso passa muito tempo na mesma posição, seja por estar se recuperando de uma cirurgia, por sequelas de um AVC ou pela fragilidade natural da idade, a pele sofre.
Antigamente chamadas de “escaras”, as lesões por pressão são feridas que aparecem quando a circulação sanguínea é bloqueada pelo peso do próprio corpo contra o colchão ou a cadeira. Elas podem surgir de forma rápida e silenciosa, começando com uma simples vermelhidão e evoluindo para feridas profundas e de difícil cicatrização.
Para famílias que cuidam de pacientes com mobilidade reduzida, a prevenção é a melhor (e única) estratégia.
Neste artigo, explicamos os cuidados essenciais de enfermagem que aplicamos na Clínica de Transição Paulo de Tarso e que você pode – e deve – replicar em casa.
Onde o perigo mora?
As lesões não aparecem em qualquer lugar. Elas surgem onde há proeminência óssea (onde o osso é mais “pontudo” e tem menos gordura para proteger).
Fique atento a estas áreas críticas:
- Em quem fica deitado de barriga para cima: calcanhares, região sacral (o “fim” da coluna, acima do bumbum), cotovelos e a parte de trás da cabeça.
- Em quem fica deitado de lado: orelhas, ombros, a lateral do quadril e os tornozelos (os ossinhos laterais do pé).
4 pilares da prevenção
1. Mudança de decúbito (a regra do relógio)
Este é o cuidado mais importante. A pele precisa “respirar”. Se o paciente não consegue se mexer sozinho, ele precisa ser movido.
- A regra: mude a posição do paciente na cama a cada 2 horas.
- Como fazer: alterne entre barriga para cima, lado direito e lado esquerdo. Use um relógio ou alarme para não esquecer, inclusive durante a noite.
2. Hidratação da pele (barreira de proteção)
A pele do idoso já é naturalmente mais seca e fina, parecida com papel de seda. Uma pele ressecada rompe mais fácil.
- O cuidado: use cremes hidratantes neutros e óleos (como o AGE – Ácidos Graxos Essenciais) diariamente, massageando suavemente as áreas de risco para estimular a circulação.
- Atenção: evite massagear áreas que já estejam vermelhas, pois isso pode aumentar o dano ao tecido.
3. O controle da umidade
A umidade é inimiga da pele. Fraldas molhadas ou o suor excessivo deixam a pele macerada (amolecida) e vulnerável a fungos e bactérias, facilitando a abertura de feridas.
- O cuidado: troque as fraldas frequentemente. Ao higienizar, não esfregue a pele com força; prefira “apertar” suavemente a toalha ou o lenço. Seque muito bem as dobras da virilha.
4. Superfícies de suporte (colchões especiais)
Um colchão comum pode ser duro demais para quem fica 24 horas deitado.
- O cuidado: considere o uso de colchões pneumáticos (aqueles com “gomos” de ar que inflam e desinflam alternadamente) ou colchões de espuma com densidade adequada (caixa de ovo). Eles ajudam a distribuir o peso do corpo e aliviam a pressão nos pontos críticos.
- Dica extra: use travesseiros ou almofadas para deixar os calcanhares “flutuando”, sem tocar o colchão.
Sinais de alerta: o teste do dedo
Como saber se uma vermelhidão é o início de uma lesão? Faça o teste:
Pressione levemente o dedo sobre a área vermelha e solte.
- Se a pele ficar branca e depois voltar a ficar vermelha: a circulação ainda está boa.
- Se a pele continuar vermelha mesmo quando você aperta: é um sinal de alerta máximo. A lesão por pressão estágio 1 já começou.
Cuidado profissional faz a diferença
Na Clínica de Transição Paulo de Tarso, a prevenção de lesões de pele é um protocolo rigoroso. Nossa equipe de enfermagem realiza a mudança de posição cronometrada e utiliza curativos preventivos tecnológicos em áreas de risco.
Sabemos que tratar uma ferida é muito mais difícil do que preveni-la. Por isso, nosso foco é manter a integridade da pele para que a reabilitação não seja interrompida.
Seu familiar está acamado e você tem dúvidas sobre os cuidados com a pele? Fale com nossos especialistas.




